sexta-feira, 3 de julho de 2009

It's not fair (worship)

Pegando na crítica que o meu GRANDE amigo fez, deixo aqui mais um acontecimento interessante.

Maria João Pires, a "nossa" talentosa pianista que encheu o país de orgulho quando venceu o concurso internacional do bicentenário de Beethoven em 1970, tendo feito o seu primeiro recital aos cinco anos e tendo tocado um concerto completo de Mozart aos sete, decidiu renunciar à nacionalidade portuguesa. Esta tinha dupla nacionalidade, nomeadamente, a brasileira.



"Maria João Pires levou a cabo um projecto educativo original, na escola artística de Belgais (em Castelo Branco), mas a falta de apoio por parte do estado fê-la desistir em 2006. Desde então, a cantora, que já tinha dupla nacionalidade (portuguesa e brasileira), resolveu mudar-se para o lado de lá do Atlântico, instalando-se em Salvador da Bahia ." [in www.blitz.aeiou.pt]

Recorde-se que esta artista, farta dos "coices e pontapés que tem recebido do Governo português", conquistou em 1989 o Prémio Pessoa.

E pergunto-me: It's not fair? Quando temos um país que não se esforça minimamente para manter os seus talentos, guiando-se insistentemente pelo sentimento tipicamente português de que a vaca da vizinha dá mais leite que a minha. Então que hipóteses temos nós, portugueses, considerados dos melhores profissionais do mundo em determinadas áreas, de vingar cá? É claro que as grandes empresas portuguesas ainda são orientadas por portugueses. Mal fora se assim não fosse. Com isto não quero romper com o conceito de União Europeia, ou de Aldeia Global, dos quais sou apologista e incitador. Quero antes criticar o que já o El Gordo fez: que em caso de igualdade, a vaca da vizinha dá mais leite... Ou pelo menos quem manda assim o acha. It's not fair? É claro que não... Enquanto tivermos este sentimento idiota e não conseguirmos separa-lo da qualidade real dos dois indivíduos em causa, it's not fair... Contudo, não nos devemos encostar a esta desculpa para não arranjar emprego ou para justificar a promoção de um colega em detrimento da nossa, encostando-nos à sombra da bananeira. Deste modo, it's not fair, no entanto continuemos a trabalhar para que aqueles que decidem não se tenham de deparar com a dúvida da análoga qualidade.

22 comentários:

O Magnífico disse...

Maldini a justificar a sua futura saída do país :P

Asus disse...

É triste ver que os melhores se sentem afastados do país. It's not fair...

Kikas disse...

Realmente é algo que dói e muito. Tanto talento, tanta arte, tanta inteligência, tanto poço de conhecimento que nos poderia pôr na vanguarda de tanta coisa e é isto que temos: desprezo!

Que saudades daqueles tempos que nunca vivi mas de que oiço falar com aquele tom de nostalgia de quando o patriotismo e os filhos da nação eram vingados e exaltados...

Maldini disse...

PNR ao poder!

n.d.r.: Espero que se entenda que quando referi "meu GRANDE amigo", me estava única e exclusivamente a restringir ao tamanho do mesmo (El Gordo), dado que não nutro qualquer simpatia ou afabilidade pelo mesmo.

Memorandum: Sim Penny já aprendi a conjugar o verbo restringir :D

Maldini disse...

Ah! Magnífico... Depois não te queixes se não tiveres onde dormir quando quiseres "sair do país".

Estamos conversados ou tenho de ir à janela?

Mau disse...

Sim... O magnífico falou no caso do Maldini a gozar. Mas eu acho que é outra coisa ridícula...

Em Portugal há pouquíssimas vagas para se entrar em medicina. Há pessoas que com médias altíssimas não conseguem atingir o sonho das suas vidas, porque houve outros que se mataram (ainda mais) a estudar e conseguem médias de 20s ou mais![hipérbole]

Depois vamos a um hospital e temos de falar quase em espanhol ou em brasileiro porque há imensos médicos que são "importados" de outros países porque... há falta de médicos em Portugal!!!!!!

Mas isto não é de doidos? Se há falta de médicos é simples: abram mais vagas nas candidaturas à universidade!

E outra coisa, mas que essa é impossível de controlar... muitos alunos de medicina há que para esse curso foram por uma questão de dinheiro. Estudaram e ficaram com uma média brilhante. Mérito, muito mérito.

Outros há que sempre tiveram esse sonho e que não conseguiram uma média de mais que 17/17,5. Como sempre tiveram esse sonho vão para espanha, rep. checa ou outros países.

No entanto, se me dessem a escolher entre ser tratado por um médico que foi para essa profissão porque queria ganhar dinheiro e estabilidade ou outro que com notas bem piores viveu a vida e perseguiu o seu sonho seja em Portugal, nos EUA, na rep.Checa ou noutro lado qualquer...

Eu preferia este último. Porque sabia à partida que estava na profissão com gosto, interesse. Sabia que dava tudo por um doente, mesmo quando ele já pouco acreditava.

Há casos e casos, eu sei... E isto é generalizar. Mas também sei que, muitas vezes, não é por se ter um 10 a educação física ou um 12 a Área de Projecto ou a TIC, que se era pior médico...

O Magnífico disse...

Ahahah, vês porque é que não fui para Medicina? x) por acaso nao sabia o que escolhar, mas pronto, acontece. Deixa-me que te diga que a culpa de não haver mais vagas em Medicina em Portugal é dos próprios médicos da Ordem. Hoje está muito estigmatizado que só se ganha dinheiro se se for médico. Nada mais errado. Só se ganha dinheiro, se se for bom naquilo que se faz. Se o forem, conseguem emprego em qualquer lado e, provavelmente, onde quiserem. Aí passa a haver pessoas que ganham mais do que os médicos. Por exemplo, eu, um dia, vou ser o chefe do Maldini, como tenho de ganhar lucro com isso, se não atirava-o para a linha de comboio que há aqui ao pé das nossas casas, obviamente, vou ter de ganhar mais dinheiro do que ele!

Maldini disse...

Porque estás a revelar pistas da nossa identidade?=O

Ainda bem que acreditas que tens a ganhar comigo e te vou fazer lucrar. É sinal que vou ser um bom médico, que é o que me importa.

El Gordo disse...

li a primeira frase e vim logo comentar para que fique bem claro que entre tu e eu não há qualquer tipo de relação. ainda bem que o referiste no comentário. ainda assim foi algum tempo entre a emiçao do post e o teu comentário. espero que ninguém tenha vindo ao vps nesse espaço de tempo. sujas-me a imagem. má onda

Anónimo disse...

emição? Agora escreves comó ni-ga! el gordo?

argolinhas disse...

mau so quero fazer 1 pequena critica.acho que exageraste quando diseste que as pessoas que entram em medicina por verdadeiro amor vao ter um maior cuidado com 1 paciente do que outra que entrou mesmo nao sendo apaixonado por esta ciencia.nao me passa pela cabeça que um medico amando ou não a sua profissão não faça tudo por um doente.não estou a dizer que sempre faça o mais correcto para o tratar maas acredito que o faz sempre porque na altura pensa ser o melhor...

El Gordo disse...

tive um dia ao sol sem cap. perdão. emissão

Mau disse...

sim, argolinhas... o que quis dizer foi que um apaixonado pela profissão tem mais probabilidades de depois do trabalho chegar a casa e pesquisar ainda mais sobre algumas doenças... O que eu sei que não acontece com alguns médicos...

Mike disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mike disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mau-r-à-dona disse...

Não discuto o que dizes, Mike... Deves saber disso melhor do que eu.

Mas a questão inicial mantém-se: num país no qual todos desejam ser médicos achas aceitável haver... falta de médicos???!!!

Criem-se as condições necessárias, faça-se o que tem de ser feito... Não faz sentido é estar a privar pessoas de exercer a profissão dos seus sonhos sabendo que depois vamos ter de importar médicos estrangeiros, não achas?

Mike disse...

"Se há falta de médicos é simples: abram mais vagas nas candidaturas à universidade!"

Naaaaaaãoo! LOL. Primeiro, criem condições para aqueles que já tão e para um aumento de número de vagas. Vagas para cada universidade já são mais do que suficiente, tendo em conta as infra-estruturas, profs, investigadores, dinheiro, pacientes. Anfiteatros de Anatomia cheios, 12 estudantes de Medicina numa enfermaria à volta de uma cama de paciente. 12 turmas práticas de 22 alunos, estando cada turma numa sala pequenita ou num laboratório pequeno que nem se pode mexer. Eu sei que a cena dos anfiteatros cheios acontece na maioria dos cursos, mas pelo nosso caso é muito mais flagrante, ao ponto de termos de 2 turnos para cada aula teórica sem ser Anatomia.

O Governo já tinha feito uma lei para aumentar as vagas cada ano 10% até 2010 sem aumentar a quantidade de fundos para as faculdades de Medicina. Para mim, isso já ultrapassa o limite de capacidade. Foi isto que a Ordem de Médicos e conselho executivos de cada FM lutaram contra.

Temos de ver sempre o nosso contexto de crise económica e desemprego. Aí, o Governo tem razão de poupar, além de uma FM ser talvez a mais cara das Faculdades a sustentar. Têm de se pagar a profs. práticos, investigação, médicos dos hospitais, médicos centro saúde, pessoal técnico, profs teóricos além do material, nem um 1/7 é sustentado pelas propinas.
Têm de ver que a formação de um Médico é muita cara e longa (6 anos de curso + 2-3 de especialidade).

Mais vagas para quê? Para eu ter a minha oral de Anatomia na terceira semana de avaliação após a gincana? Para ver e auscultar um único paciente 3 em 3 meses? Nunca ver ao microscópio? É assim que se aprende Medicina?

Ou aquele estigma q muitos amigos têm a dizer que "Medicina é só decorar, decorar, decorar". No máximo, é bocadinho verdade, mas em frente de um doente não vamos descrever os ramos colaterais da artéria femoral. Existe também raciocínio clínico e científico e cadeiras de não "decoranço" lol. A prática clínica não está nenhum livro.
Prefiro 1 médico de qualidade do que 10 médicos feitos à pressão.

Em vez de construírem a terceira auto-estrada Lisboa-Porto, invistam no ensino superior (não só em Medicina) e arranjem investimento estrangeiro e/ou privado. Não é nadar com Michael Phelps, criar a marca "Allgarve" ou fazer cornos na Asssembleia da República que se vai lá.

O Magnífico disse...

Para além do que o Mike disse, acho ainda mais flagrante, os valores das propinas de os alunos da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, irem em cerca de 46%, ou um valor próximo, já não me recordo qual, para outras faculdades da UC ( cerca de 55% do orçamento da FMUC é originário de receitas provenientes de outras faculdades ), devido às RJIES. Cursos os nossos que são bastante bons, não estão é credibilizados, mas que também não o podem passar a ser, nem haver ainda maiores melhorias na qualidade, porque não existem fundos para melhorar a qualidade dos docentes. Apesar disto, a FEUC passou de 40% de professores doutorados para mais de 60%. Fechem os cursos de pirotecnia e mais os 300 cursos que existem na FLUC com 5 ou 6 alunos, onde os professores devem andar é a parasitar. Deixem-nos as nossas propinas, para formarmos docentes e melhorarmos as condições das nossas faculdades.


Assim não teremos Júlios Gomes a dar-nos aulas, nem uma Faculdade de Economia à beira da falência, onde até a falta de papel higiénico devido aos roubos dos estudantes afectam o próprio orçamento da faculdade.

Mike disse...

Antes: Tive remover algumas partes do meu post original para reduzir o tamanho para aceitável e tive de postar outra vez, não vi e só postei depois do teu post Mau. Peço desculpa

"todos desejam ser médicos achas aceitável haver... falta de médicos???!!!"

"Não faz sentido é estar a privar pessoas de exercer a profissão dos seus sonhos sabendo que depois vamos ter de importar médicos estrangeiros, não achas?"

Claro que acho inaceitável a falta de médicos em Portugal devido a um decréscimo de vagas nos anos 80-90. Mas estás a dizer que o Ministério da Saúde têm de esperar 12 anos para solucionar um problemas que está a ocorrer agora?

Em relação às vagas/condições

Mas existem 2167 que puseram Medicina na UC na folha de candidatura
(http://www.dges.mctes.pt/coloc/2008/col1listaser.asp?CodEstab=0506&CodCurso=9813&ids=2161&ide=2168&Mx=2168) para 255 vagas sem contar aqueles que não puseram por diversos motivos e aqueles que foram pa outras univs. Mas alguma Faculdade tem condições para albergar 2161 alunos no 1º ano? Nem para 255 alunos há. UC em falência técnica, logo no 1º semestre.

É claro esse tal aumento de vagas é melhor do que andarem a criar novas Faculdades Médicas, de acordo com o ponto de vista de poupar por parte de Estado, mas piora as condições de ensino. Por mim, tudo bem que haja vagas, agora que também haja condições para toda a gente.

"Criem-se as condições necessárias, faça-se o que tem de ser feitas" Se fosse assim tão simples, obviamente que este problema já estava de alguma forma solucionado. Melhor todos os problemas - desemprego, crise económica,...

Obviamente que não sou egoísta, apesar de já estar aqui no poleiro LOL e não quero privar de ninguém do seu sonho. Mas também sou realista e pergunto "porquê isso ainda não foi feito se é uma medida positiva?" e depois tento encontrar as respostas e às vezes mando uns bitaites xD.

Agora devemos aumentar as vagas sem pensar nas condições existentes? Esta situação também é análoga ao SNS gratuito e às reformas da Segurança Social. Eu também concordo no SNS gratuito, e agora as condições para tal? Mas mesmo assim, o meu desejo é um SNS gratuito.

"It's economy, baby!"

Mau-r-à-dona disse...

"Mas existem 2167 que puseram Medicina na UC na folha de candidatura
(http://www.dges.mctes.pt/coloc/2008/col1listaser.asp?CodEstab=0506&CodCurso=9813&ids=2161&ide=2168&Mx=2168) para 255 vagas sem contar aqueles que não puseram por diversos motivos e aqueles que foram pa outras univs. Mas alguma Faculdade tem condições para albergar 2161 alunos no 1º ano? Nem para 255 alunos há. UC em falência técnica, logo no 1º semestre."


Mas é óbvio que não seria possível passar de 255 para 2167...

Eu não digo que deviam entrar TOD0S, como é óbvio... Mas o facto é que há falta de médicos e não se formam médicos suficientes.

Quiçá porque se houvesse assim tantos médicos quantos os necessários eles passassem a ter de ganhar menos... Se calhar o problema da ordem é mais esse, não?

Anónimo disse...

Acho o Julio Gomes um grande professor . . .

O Magnífico disse...

Eu considero o Júlio Gomes um bom economista, o homem percebe muito daquilo, mas bom professor? Acho que não... Anónimo, se consideras que ele é um bom professor, porque não consegue perceber quem faz merda nas aulas, ou porque conseguias copiar na boa nos testes, ou mesmo nos exames, ou então porque és gaja e o gajo deu-te boa nota pelo grande decote que levavas e não pelo trabalho, acho que estão as coisas faladas, porque eu tive-o como professor no primeiro semestre e, perante o tempo útil da aula (período em que ele está acordado) e por entre o que eu conseguia perceber pelos grunhidos dele, digo, vá, que consegui perceber antes de ter começado a estudar para o exame de Micro1, o que eram custos fixos e custos médios. No entanto, volto a referir, não digo que ele não é um bom economista, porque provavelmente o é.

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