domingo, 31 de janeiro de 2010

7


Acordo. Não foi desta. Cabrões de merda, salvaram-me.

Salvaram-me não, condenaram-me à sua execução.



Estou preso, não me consigo mexer. Devem-me ter posto um colete de forças para não repetir a "gracinha".



E agora?

Deve ter dado resultado. O meu estrebuchar todo por aparentemente razão nenhuma deve ter feito o louco compreender que eu queria um dos meus últimos cigarros. Merda. Só me resta mais um. E vida? Quanta me restará?

Será que estes pseudo-deuses não têm mais vontade de me riscar do mapa?



O tempo pára, o tempo não passa. O tempo é mudo, o tempo desgraça. Quero sair, quero escapar, quero voar. Voar daqui para fora, para outra cidade, outro país, outro mundo. Este não tem mais nada que me possa oferecer que eu ainda queira.

Vivo entre pares, pares conhecidos. O que eu queria era andar entre iguais, desconhecidos.

O tempo flui, o tempo escoa. O tempo mói, o tempo voa.



O céu é azul O céu é infinito Plano por entre as nuvens O mundo é meu o mundo é o que eu quiser. As cidades lá em baixo são tão pequenas tão insignificantes. Que liberdade o mundo é meu e eu sou dele. Eu sou o que eu quiser. Mas quem sou eu? Preciso de descobrir o mundo quem sabe descobrir-me a mim. Quem é que eu sou? O que é que eu sou? Preciso de mudar; mas para que? No que me vou eu tornar? No que eu me tornei? Só sei que quero ser melhor mas para onde é o melhor?

Estou a morrer lentamente prestes a morrer A minha vida está-se a escoar e eu ainda penso em melhorar Para quê Para que vai servir Mas ao menos ando livre pelos céus Desço Desço mais rápido Desço a pique O chão aproxima-se vertiginosamente de mim Vou-me despenhar.



Acordo. Porque não são os sonhos realidade? Porque é que só os sonhos são feitos de realidade e não a realidade feita de sonhos? Porque é que não se realizam?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Talento Nato

Caros Selvagens, hoje venho para vos fazer soltar algumas gargalhadas. Há pouco tempo, um Amigo meu mostrou-me alguns dos vídeos (em baixo) de um rapaz que tem uma forma soberba de cantar, aproveitando ao máximo a sua capacidade vocal. Vejamos:

Aqui mostra-nos o seu lado Rock, ao cantar "Sweet Child O'Mine" dos Guns n' Roses. Mostra-nos também que toca Guitarra tão bem como o Slash e canta melhor que o Axel:


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Também canta Linkin Park, acompanhando a música com uma coreografia típica deste estilo de música


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Consegue também adaptar a sua voz super Masculina a músicas na onda de Miley Cyrus e Pussycat Dolls. Não acreditam?


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Por último a que eu acho mais engraçada. A introdução é genial. Deixo-vos com "Barbie Girl" dos Aqua.

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Já sabem, se se quiserem rir com (e de) este menino, escrevam no Youtube "me singing" e o nome de uma canção qualquer, pois este menino tem um vasto Portefólio !

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Que Pi(ropos + rosos)



Falemos aqui da essência do Piropo.

Há uns tempos estava eu a conjecturar qual seria a forma mais eficaz de abordar uma miuda interessante na rua. Bastaram uns longuíssimos micro-nanésimos de segundo até me surgirem centenas de piropos adequados às mais variadíssimas situações- sim, no que toca a piropos tenho uma capacidade de processamento fora de série :)

Okok, também tenho que admitir que desses 1001 piropos que me vieram a cabeça, talvez 1000 eram completamente estapafúrdios e o restante piropo era só meio parvo com algum potencial de sucesso.

Mas havia em todos esses piropos qualquer coisa em comum. Todos eles abordavam a jovem com recurso a outra coisa. Não é fantástico?




Vejamos o famoso piropo de rua:
"Oh estrela, queres cometa?"
-MEU DEUS! O que é isto? - pensamos imediatamente.

Mas sejamos críticos. O que tem em comum este piropo com um piropo mais softskilled do género: "Como te chamas? Espera, deixa-me adivinhar. Cheirosa como és deves-te chamar ROSA"

"WHAT??eu não li isto". Pensam vocês.

Ehpa, por amor de Deus. Parem de me interromper! Abstraiam-se do substracto de estupidez e foquem a essência da coisa.

A verdade é que é raro o piropo instantâneo que surja com base na pessoa. Se surje com base nas mamas da jovem logo dizemos que ela "bai tôda descaPUTAbel" xD. Todo o piropo serve-se de referência a outras coisas que achamos bonitas. Comparar miúdas a carros de alta cilindrada - "Ehpa, olha-me aquele Ferrari!"; a corpos celestes; a bolos ou doces; sei lá que mais. Tudo isto é reduzir a supérfluo aquilo que é a essência de uma mulher verdadeiramente interessante.

E as miúdas perfeitas? Aquela miúda que não é parecida com um avião mas que é BOA!? Aquela miúda que não nos lembra uma estrela cadente mas nos faz desejar o que não podemos ter?; Aquela miúda que, no final das contas, perto de nós em vez de nos fazer pensar em piropos parvos nos faz preferir estar calados com medo de dizer asneira. Mesmo quando isso pouco importa porque, no fundo, mesmo lá no fundo, sabes que dizendo ou estando calado aquilo nunca vai ser água para teu bico. Ou se preferirem, será sempre areia de mais para a tua carroça - adoro esta expressão.

A essas é que fazia sentido mandar os 1001 piropos com lógicas terriveis. Mas a verdade é que não tens coragem. A verdade é que essas repelem a técnica do lança o isco a ver se pescas - com o passar do tempo este desporto tem seguido contornos mais sérios. Num futuro próximo dará direito a estatuto de alta competição sugerem-me fontes seguras. Adiante

O que irrita no meio disto tudo é que essas (miúdas aparentemente perfeitas) são as únicas que valem a pena.

Haverá forma de dar a volta a isto? Estará prestes a nascer um novo ramo de estudo da Piropologia? Temos de aguardar que os estudiosos da coisa façam progressos. Cá estarei para divulgar novos avanços no estudo do Piropo.

Deixo-vos então com o meu pensamento do dia que me levou a toda esta lógica parva e complicada - que aliás fiz questão de introduzir logo no titulo desta "posta"


"Se fosses um carro eras um descapotável. Se fosses uma leguminosa eras milho. Mas como não existes não passas de um sonho" - conclusão: miúdas perfeitas não teem direito a piropos

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As searas cantam com a música do vento. Douradas como os belos cabelos de uma donzela pertencente a uma corte de tempos idos. Ao longe, uma criança correr. Pequena, enérgica, feliz; a brincar com o aviãozinho de madeira oferecido pelo pai no aniversário. O mundo era só ele, o céu azul, as searas douradas, e o seu avião. Não era preciso mais nada para a vida ser perfeita.



- David, vem para casa! - grita a mãe, lá do fundo, junto a um enorme alpendre de uma vivenda das antigas, de madeira.



Ao longe, a casa parecia agradável. Paredes pintadas de branco, a cadeira usual no alpendre, ele próprio virado para oeste, de modo a que o sol lá irradie a sua alaranjada luz nos longos fins de tarde do Verão, enquanto um homem lá está sentado, bem vestido, a ler o seu jornal. Um homem como um qualquer outro homem de negócios bem sucedido, que procura descontracção na pacatez de uma casa no meio de uma enorme herdade como que abandonada, como que uma galáxia no centro do Universo.



- Vamos rápido comer para depois ouvirmos a novela da noite na rádio. - disse a mãe com ansiedade.



- Chama lá a Maria, para nos vir servir, a ver se nos despachamos. - retorquiu o homem com firmeza.



Aparece então a Maria, depois de chamada, com a panela da sopa para servir o patrão e a família. Trazia o seu pequeno consigo, camuflado no meio das suas saias. Ele ainda tinha medo do escuro, não podia ficar sozinho.



A criança, a meio do serviço da mãe, assusta-se com o olhar severo lançado pelo adulto e puxa as saias da mãe. Caldo entornado. Literalmente. Sujou a mesa toda, incluindo o patrão e o filho com o seu avião de madeira. O pequeno com medo do escuro tinha agora, como sempre, ainda mais medo do patrão e, petrificado com terror das represálias que iriam surgir, fica imóvel com o olhar pregado no chão.



- Merda do surdo que não há meio de desaparecer da nossa vida!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

4 e 5



Estou na minha cela, já não estou sozinho. Entrou alguém. Mais algum condenado à morte, o meu novo companheiro de cela. Já desespera, sinto-o a ir contra as paredes com violência, sinto o chão a tremer com os gritos dele. Há-de deixar de desesperar, há-de passar a esperar. Porque não me bate? Porque estamos os dois condenados à morte? Que espécie de compaixão é esta? Um passaporte para ir para o céu?


Mas que céu? Ele existe? Ninguém sabe! Loucos! Cobardes! Medrosos. Tenho pena dele. Ele também há-de ter de mim, mas e então? Qual das penas a maior? A física ou a mental? E moral! Tristes são aqueles que julgam que são os detentores da razão!

Estão tão enganados, pobres coitados... Hão-de acabar a nem terem um pão de comer. Estou preso, nest cela do corredor dos condenados à morte deste amaldiçoado país, deste maldito mundo! Desta prisão que não tem nome, que é a minha prisão, onde vou sofrer a minha condenação. O mundo está preso por um fio, um mero fio, de lão, linha, nylon, o que interessa? E apenas um fio, um pequeno fio. Fio cortado, vida esmagada, desperdiçada, espezinhada por uns meros animais. Sim! Animais! Porque os seres humanos não são frios, são gelados. Não compreendem o passado, não me compreendem a mim.


Não aguento mais... Não aguento esta dor de cabeça! Não aguento esta dor que me consome todo o corpo! Não aguento... Pura e simplesmente, não aguento. Acabem-me já com este sofrimento, acabem. Já. Não consigo esperar... Esperar para quê? Não vejo e não ouço. Eles controlam as horas a que como, controlam a que horas dou uma volta, controlavam-me as horas a que dormia e as horas que dormia. Controlam a minha vida... O que vai restando dela... Porquê? Porque o haverão de fazer? Porque haverei eu de deixar? Eles bem que querem. Já não há basicamente nada aqui. Um colchão para eu me deitar, talvez agora dois, já que cá paira o outro. Um buraco para as necessidades. As paredes são almofadadas e temo que se experimentar um duelo com a porta, há-de fazer um barulho tal que é suficiente para ouvirem, cá virem, e ainda me deterem e tratarem ainda pior. E pior, comigo vivo, sem poder fazer nada para terminar este sofrimento. E se? Ninguém notava, pelo menos até ser tarde de mais...



Farto das pessoas, das sociedades e das suas convenções. Estou farto. De tudo. Aqueles sinais de luzes dos carros e os seus misteriosos significados... Que tanto podem significar que a polícia está a alguns quilómetros de distância, como que tenho de virar na próxima cortada à esquerda para levar um carregamento de drogoa, ou, quem sabe, que vou morrer no próximo entroncamento. Farto da Igreja, das suas proibições e pecados. Eu vou para o céu, se eu quiser! E com quem eu quiser! Ou apenas morrerei, indo para um vazio, acabando-se toda e qualquer familiaridade com a existência, quem sabe...



Farto das sociedades e dos seus preconceitos. Se as raparigas querem ser esqueléticas que sejam. Se querem parecer uma morcela ou um chouriço fumado, que pareçam. Se os paneleiros se querem comer à frente do maior número de pessoas possível, disfarçados de cães esfomeados e depois se fazerem de vítima, que se comam! Se as pessoas querem não só parecer, ou não parecer, mas o ser, completamente desprovidas de espírito, que o sejam! Mas, DEIXEM-ME EM PAZ! Fora das maquinações, dos grupos pré-definidos, das carreiras ficticiamente criadas, das bases falsas com que criam o vosso pequeno mundo cheio de requisitos, falsidades e jogos de poder!



Farto desta vida, farto do que dela surge, farto do que sobra dela. Farto do que acontece, do que não acontece, do que está para acontecer e do que nunca vai acontecer. Farto.





Acabar agora com tudo. Decidir o meu próprio fim.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

É preciso algum folclore nesta merda, por Valentim

Sempre odiei vigaristas, corruptos, desonestas, criminosos. Não que haja algum de entre todos estes senhores que o seja. Ora então isto é assim:

Pinto da Costa - aquele que dizia que tinha sido (e foi) ilibado de todos os crimes de que era acusado - fala com o Presidente do Conselho de Arbitragem, Pinto de Sousa.



Esta é a escuta que eu acho mais engraçada. Como se sabe, Pinto da Costa (PC) foi ilibado nesta coisa do árbitro Augusto Duarte ter ido a casa dele dias antes do jogo entre o Porto e o Beira Mar. Em sua defesa PC disse que o árbitro tinha aparecido em casa dele sem aviso prévio e que tinha estado com ele a tratar de problemas pessoais do senhor árbitro (relacionados com o seu pai, penso). Ora então expliquem-me porque é que o senhor António Araújo e o árbitro Augusto Duarte falam assim desta maneira?

Se eu tivesse problemas pessoais e fosse desabafar com um amigo, como o PC provou em tribunal diria exactamente o mesmo que o árbitro:

AA: E então, mas é que o senhor engenheiro máximo... Faz questão de coisa...porque não sei quê, porque...e...

"AD: Como é que vamos fazer isso?

AA: Não tem nada a ver, não tem nada a ver com... com o dois. É o número um, não é?

AD: Pois, exactamente.

AA: Que é o... que é o gerente da caixa, não é?"


ou


"AA: E o almoço?

AD: O almoço é capaz de dar, mas o almoço não, não é assim muito para o clarão?

AA: Não porque depois nós vamos ver uma casa

AD: Ahh está bem! Está bem."


Obviamente que tratava o meu amigo com quem ia desabafar (neste caso o PC) por "nº1", por "gerente da caixa" e tinha medo de ir almoçar porque "era muito para o clarão"! Coisa perfeitamente normal nesta coisa das amizades...



Mas continuemos!

Como dizia atrás, PC safou-se em julgamento dizendo que nem esperava a visita de Augusto Duarte. Mas então sou eu que sou muito burro ou o senhor que estava a falar com o PC na escuta anterior estava precisamente a combinar com ele a sua ida lá a casa?! Hummm... E na escuta seguinte ouve-se o PC a dar indicações a António Araújo que leva Augusto Duarte até sua casa...



Para quem não sabe, José Diogo Quintela foi processado por PC por ter feito um texto n'A Bola a imaginar uma conversa ente PC e um árbitro. Por inventar uma escuta, fazendo o seu trabalho de humorista. Diz, e bem, Zé Diogo Quintela, que seria bastante engraçado que, depois de estas escutas - QUE SÃO VERDADEIRAS - não terem dado em nada... acabasse por ser ele o único a ser condenado por uma escuta que é assumidamente INVENTADA, FICÇÃO! Não deixava de ter a sua piada...


PS: Há mais escutas a que toda a gente dá mais destaque do que estas que aqui referi. Mas isso é porque ninguém enquadra estas escutas com a defesa do PC em tribunal, como eu fiz. No entanto, as outras não deixam de ser... autênticos Vrrnhécs!

Mais escutas:
http://www.youtube.com/watch?v=xK6nCGYB8Yw&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=WL8BCAUspp0&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=P2dX61WvLDE&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=CZAd9kYN5Z0&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=h6CXBW4FVl0&feature=player_embedded

Al Qaeda faz justiça em Coimbra

O que eu fui encontrar!

Este vídeo está simplesmente fantástico. A malta de mecânica vai-se converter toda ao islamismo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Introspectiva

Olhemos para o Mundo. Olhemos para os outros.

Não estamos nós numa situação previligiada?

Se nos pedirem uma opinião sobre uma flôr conseguimos, se a arte e o engenho nos ajudarem, dizer exactamente o que ali temos. Fernando Pessoa ia para além disso. Para além de compreender tudo de uma forma extraordinariamente completa conseguia transformar tudo isso em palavras. Isso é de facto um dom. Louvado seja aquele que o consegue e ainda bem que eles existem.

Um facto é que todos nós ficamos maravilhados com a beleza intrinseca de uma simples flor. A própria côr faz-nos sentir. O cheiro, hummm, como é bom cheirar.

Temos tudo para olhar a nossa volta e sentir o que vemos. Compreender o que existe.

Mas sabem o que é mais ridículo?

É haver gente que necessita que os outros vejam por nós os nossos erros e nos digam no que estamos a errar.

Ridículo porque precisamos que pessoas de fora olhem para nós e nos percebam.

Nós não somos uma rocha que merece ser contemplada para ser sentida. Não somos uma flor que só se define pela côr e cheiro que é o mesmo para toda a gente e assim permanecerá toda a vida.

Nós continuamos numa situação previligiada. E mais que privilegiada! Ninguém nos chega aos calcanhares no que toca compreendermo-nos nós próprios.

A verdade é que as pessoas se esquecem. A verdade é que as pessoas ignoram. E no seio de uma sociedade não passam de rochas e de flores. São a cor que lhes dizem ter, têem o cheiro que acredita que os outros dizem que tem.

Se te dizem que cheiras mal sentirás que és uma merda. Se te dizem que és feio acreditarás que não serves para nada.

Parvoíce a tua. Porque tu sabes melhor que ninguém quem tu és. Se queres que os outros percebam quem realmente és joga com isso. Se não o queres, não te aflijas porque desde que estejas seguro da tua verdadeira côr e qual o teu verdadeiro aroma não será um tipo qualquer a convencer-te do contrário!

No outro dia estava a ouvir música clássica e coloquei um olhar tenso cerrando os dentes.
"Tens razão, esta música é uma verdadeira merda" - disseram-me

Como eu me ria por dentro - "Ignorante, esta música é lindíssima!"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

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Estou na minha cela.

Antes tinha quatro paredes brancas. Agora são pretas.

Agora é tudo preto. Breu.

Como a escuridão da vida. Como a morte.


Como a minha morte vai ser breve. Breve é a vida! Ainda agora era eu criança. Não propriamente feliz, mas ainda assim criança, como aquelas que brincam na rua. Agora já não brincam nas ruas, não saem de casa, não saem dos computadores, com toda aquela inovação tecnológica que torna tudo tão diferente, tudo tão diferente do que era dantes. Já não há pássaros nas ruas a voarem livres, pelas cidades, por entre os topos dos arranha-céus e depois descer a pique até às estradas, até aos carros, até ao barulho, até à confusão, até ao que não era de antes, mas é de agora, porque o agora é tão diferente, porque o agora é tão impessoal, tão triste...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

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Passei a minha vida toda à espera. Ainda mais depois de ter perdido a audição. Sempre com aquela sensação de estar à espera de algo que mude a nossa vida, que nos mude a nós, por completo. É daquelas coisas que acontecem ao contrário do resto da natureza, pelos vistos. As tragédias que, supostamente, só acontecem aos outros, acabam por nos atingir a nós. Porque não acontece isso com algo de bom?


Sempre esperei que algo de bom me acontecesse a mim, que me permitisse dar a volta à minha vida, mas não. Não aconteceu nada. Pura e simplesmente nada. A parte mais agoniante de tudo não é o não ter acontecido algo de bom, é a sensação de expectativas falhadas. A sensação de que havia lá fora algo de bom, à espreita, à espera também, do melhor momento para me surdir, momento esse que, pelos vistos, nunca surgiu. Será que mereci mesmo? Será que já estava destinado? É justo deixarem-nos a pensar em algo e, depois brincarem connosco como simples peões de xadrez?


Enfim, peões somos, não é? Eles fazem o que quiserem de nós. O que quiserem. A diferença é que a vida não é tão simples como um tabuleiro de xadrez. Quando eu morrer, o que vão eles sentir? Quando me perder, como me vão eles fazer voltar ao caminho?


Faltam três horas. Já não vejo. Eles fizeram-me perder a visão. O Mundo era tão belo, e perdi-o. As coisas amargas podem sê-lo sempre, mas as doces só o são quando as deixamos de ver. Deixei de ver os meus pequenos raios de luz. Perdi os meus pequenos raios de escuridão. E agora? que será de mim? Três horas me faltam e nem esse tempo me deixam aproveitar em pleno. Triste vida a minha. Triste eu. Se ao menos eles me dessem mais uma oportunidade! Só quero mais uma! Quero emendar o que fiz de errado! Quero viver os sonhos da minha vida! Ouçam-me! Eu sei que vocês estão aí!


Vocês têm de estar aí. Não posso estar sozinho.


Sozinhos são aqueles que andam pelas cidades a vaguear ou mesmo a trabalhar naqueles arranha-céus que chegam lá às alturas! Alturas!... Quem me dera voar... Ser livre como um pássaro, chegar ao Sol... Tocar-lhe, receber o calor dele... Não quero ser frio como os outros que não param quando alguém cai. Coitada da pessoa que caiu deixou cair tudo ninguem a ajuda a apanhar nada Tem que fazer tudo sozinha Ah Sozinha Sozinhos são aqueles que andam pelas cidades a vaguear ou mesmo a ....

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Quatro horas, vinte e dois minutos e quarenta segundos, certos. É quanto me resta. Agora menos. Sinto a vida a ser sugada de mim, cada segundo a afastar-se tão rapidamente, tão subtilmente, que não consigo vê-la sequer. Toda a esperança a escapar-se-me por entre os dedos.


Ser um condenado à morte é diferente de tudo o que se pode imaginar. Se uma pessoa estiver à beira de ser assassinada e o souber, tem esperança. Esperança de que apareça alguém para o deter. Esperança para que o assassino falhe e a pessoa consiga fugir. Esperança de que a arma não tenha balas, por amor de Deus! Pode não ter mais nada, provavelmente não tem mais nada, mas a esperança, essa tem.


Num condenado à morte, esperança é coisa que não existe e, se a esperança é a última a morrer, então ela já morreu e, assim, também nós já o estamos. A data de óbito é a data da sentença. Aí é definitivo. Aquela hora vamos morrer, assassinados como, supostamente, assassinámos alguém. Mas eu não matei, mas ainda assim vou morrer. A única possibilidade de não ser executado surge se o mundo acabar primeiro, mas, até assim, eu saio morto da questão. Por isso, não vale a pena lutar, não vale a pena estrafegar, não vale a pena ter esperança, não vale a pena sonhar. Não vale a pena.


Bem, está na hora de fumar um cigarro. Depois deste já só tenho dois.

domingo, 17 de janeiro de 2010

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É nestas alturas que não me arrependo de fumar.

O que eu dava para poder voltar a fumar um cigarro. Nunca dei um cêntimo pela minha vida, até ter lido a minha sentença. Dia 7 de Dezembro, às 22h. Aí sim, passamos a tratá-la, a nossa vida, como o nosso mais precioso tesouro. Não, como uma fortuna incalculável. Cada segundo, esse sim, é que é um tesouro bastante precioso.


Incrível como o ser humano consegue ser tão desprovido de compaixão; para além de assinarem a sentença de morte a um homem, ainda lhe perguntam quais são os seus últimos desejos como se fosse um acto de misericórdia. O que ninguém sabe é que os últimos desejos são a coisa mais hedionda que podem conceder a alguém que vai morrer. É mostrar-nos como nunca mais vamos saborear aquilo de que tanto gostamos na vida. Que tudo se vai acabar, por causa dos crimes que cometemos. Se eu fosse um tipo inteligente, tinha pedido pescada com bróculos. Mas não, tinha de ser heróico como sempre e humano como desde que nasci e, por isso, pedir um maço de cigarros e execução na guilhotina. Assim posso-lhes mostrar que não somos assim tão diferentes dos contemporâneos do séc. XVIII, onde morriam pessoas na praça pública, pessoas que eles rejeitavam mentalmente. Aquilo, de dizer que era tudo melhor antigamente, é uma treta. Treta. A diferença é pouca, quase nenhuma. Apenas umas quantas novas inovações tecnológicas que permitem que milhões vejam pela televisão, aquilo que umas poucas vêem in loco. Injecção letal, uma morte só com dor, sem espectáculo nenhum demais, enquanto que, numa guilhotina, tal como no nostálgico antigamente, verão o sangue ainda fresco salpicar-lhes as tão imaculadas roupas e corpinhos, e verão os imaculados olhos rolar a minha cabeça à frente da deles mesmos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"Os verdadeiros roubos de Igreja"

Deixo aqui um "EXCERTO" de 10 minutos incríveis, que magoam e fazem pensar aqueles que amam e vivem o desporto rei como ninguém.



Peço que interpretem estes sucessivos atentados futebolísticos e deixem o vosso comentário.

Obrigado malta...

Por me ajudarem a fazer uma coisa tão difícil como fazer um post de vez em quando. Foram vários aqueles a quem pedi ajuda... sozinho não posso manter o blog. Por isso é natural que se ninguém me ajudar haja pouca actividade por aqui nos próximos tempos...

Deixo-vos com a reacção do Canal Inter à viragem no resultado do Inter Siena, de 2 a 3 para 4 a 3 nos últimos minutos. Enjoy it ;)


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O estado da televisão portuguesa...


Ontem à noite, a meio do meu estudo de Direito resolvi fazer um zapping pelos primeiros 4 canais. E deparei-me com um daqueles programas em que temos uma menina com uma bruta mini-saia que passa um tempo infinito a falar sozinha e a atender chamadas dos participantes. Ora ontem ao que parece havia um jogo novo: tinha uma imagem tapada e a cada chamada que entrava em directo destapava-se um pouco da mesma. O objectivo era adivinhar o que era a imagem.

Ora a certa altura a imagem estava destapada quase por completo. Viam-se duas rodas atrás, uma à frente e o sítio onde se agarra no guiador (não me lembro do nome certo - o equivalente a um volante). Entra em directo uma senhora que acha melhor destapar ainda mais a imagem e depois arrisca dizendo que era... UM AVIÃO!!!!

A própria apresentadora teve um ataque de riso. Mas a coisa piorou: na chamada seguinte há um rapaz que liga para lá (o prémio era de 500 ou 600 euros) e pede para destapar ainda mais a imagem. Depois, pensa um bocado e pensa em voz alta:
- Eu não tenho a certeza do nome disto. Não sei se é um triciclo ou um motociclo.
- Tem de escolher um... - dizia a apresentadora quase a rebolar-se no chão de vontade de rir.
- Ah... tem 3 rodas. Acho que é um motociclo!
- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!!!!!

E na chamada seguinte lá conseguiram acertar. Não tenho o vídeo deste belíssimo programa... mas deixo-vos com o estado da tv portuguesa:



É que programas maus por programas maus... pelo menos que se faça como a TV Azteca que aposta em programas educativos como o Tempranito - e não há lá Júlias Pinheiros nem Cinhas Jardins:


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Desejo escondido...


Andámos em conversas sobre o Natal e a discutir o facto de as pessoas darem prendas sem que quem as recebe as tenha pedido ou tenha dito que precisa mesmo delas... Eu defendia que sempre que recebia uma prenda que não tinha pedido isso se tornava um motivo de felicidade acrescida, outras pessoas defendiam o contrário. Não importa. Hoje falo-vos novamente no Natal para vos dar a conhecer uma prenda muito especial que recebi.

Neste Natal não consegui escolher uma prenda para pedir a alguém. Não o consegui porque, não sentia tinha necessidade de nada neste momento. No entanto sentia-me num profundo dilema: havia uma única prenda que eu desejava profundamente, mas que não podia pedir a ninguém. Parece loucura, não é? Mas não é tanto assim... É que eu consegui convencer-me de que a prenda que queria só teria o valor que eu tanto lhe dava se os meus pais me conhecessem o suficiente para que ma dessem sem que eu lhes pedisse a única prenda - material, claro - que secretamente desejava para este Natal.

Foi, então, com um misto de esperança e de angústia, de medo, de tristeza, que encarei o momento de receber as prendas. Comecei pelas maiores - que apesar de terem sido verdadeiras surpresas adorei e tenho devorado compulsivamente - e, à medida que me aproximava da última, a tensão ia crescendo. Por um lado sabia que era quase impossível alguém conhecer-me tão bem ao ponto de me dar o que eu tanto queria sem que eu nunca tivesse falado disso.

Finalmente, quando abro o último embrulho, vejo as letras que eu tanto queria ver na capa: "Sonhos Perdidos". O desejo tinha-se realizado. Pensava eu...

Eu, que queria a história que tinha escrito em papel e de uma forma um pouco mais apresentável, tinha agora em mãos essa mesma prenda dada pelos meus pais e... sem que eu lhes tivesse pedido - que talvez fosse, mesmo, a mais importante prova de que o meu desejo se tinha realizado.

Mas quando começo a folhear aquelas páginas vejo, em vez das fotografias daqui do blog, uns desenhos brutais. Pensei que tinham pedido a algum desenhador profissional para ilustrar o texto. Afinal não. Tinha sido a sobrinha dos meus primos [que não conheço] a fazer as ilustrações. E acho que não há melhor elogio do que ter pensado que as ilustrações feitas por alguém que anda no 11º ano tinham sido feitas por um desenhador profissional.

Ao que parece vêm mais desenhos a caminho e eu próprio deverei mudar um pouco a história, porque está em formato de blog e queria passá-la a um formato de conto, de mini-livro. Mas agora deparo-me com um novo desafio: o de conseguir transformar aquilo num texto à altura das ilustrações. Não será fácil. Mas vou tentar...

Obrigado Mãe, Pai, Irmão, Primos e [last but not least]... Ilustradora Desconhecida. Por, cada um à sua maneira, ter entrado neste meu desejo e ter conseguido não só cumpri-lo como também superá-lo. Obrigado!

PS: As imagens são precisamente a que ilustra este post e as que se seguem:



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mundial em África


"O autocarro da selecção do Togo, que passava a fronteira entre Congo e Angola, tendo em vista a participação na Taça das Nações Africanas, foi atacado esta sexta-feira por rebeldes. Segundo as recentes informações, há dois jogadores que ficaram gravemente feridos.

O guarda-redes Kodjovi Obilalé e Serge Akakpo serão os jogadores que ficaram feridos, alegadamente por balas de metralhadoras, isto segundo contou à imprensa francesa um dos integrantes da comitiva da selecção do Togo, entre os quais estava a estrela maior, Emmanuel Adebayor.

Ainda segundo a mesma fonte, há mais feridos graves, entre os quais um dos médicos e o técnico do guarda-redes. «Havia sangue por todo o lado. Nem sei se vamos conseguir jogar a CAN», disse.

O atentado ocorreu na província de Cabinda, no norte do País, onde se vive conflito separatista desde a independência de Angola, em 1975."

Notícia tirada daqui.



Casamento gay aprovado

Estão felizes, Ranhoca e "Nosso Amigo"?;)

Imagem copiada daqui.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Já que estamos numa de abichanar...

Se o anúncio é português, se até tem piada... serei eu que ando mesmo distraído ou ele não passou muito na televisão [a pergunta é sincera]?


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dilemas de um Verdadeiro Macho - "A Flor de jardim"


Estava tudo muito calmo. Sentado num banco de jardim com o olhar distante foquei uma agitação perto de mim. Era uma pequena flor que pairava no ar ao sabor do vento. Pensava eu:
- Que linda flor




Permaneci calado, elevei a mão e a flor levemente nela pousou. Soltei um sorriso e tive a seguinte conversa comigo próprio:

-Sinto como se estivesse enamorado por esta linda flor. Estarei eu prestes a apaixonar-me?

Hum, talvez esteja. Se sim, irá chamar-se Rosa!




[contudo a sobriedade e lucidez voltaram]




- Se fossem duas namoradas seriam Rosa e Margarida!


[passada uma fracção de segundo]

- Raios. O que tu querias mesmo era ser florista! Que coisa mais homossexual.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Star is Born, por Sr. Alfredo


"Ana Moura não é apenas uma cantora de fado, uma excelente cantora de fado. Ela tem algo mais, tem presença, tem aura... Faz lembrar uma sibila, tem uma aura antiga e pagã e o facto de ser cantora de fado não é alheio a esta evocação. Com certeza, se fosse cantora de um outro género musical que não o fado, não despertaria esse sentimento. Mas, sendo como é uma espantosa fadista, não posso deixar de a ver como a continuadora de uma longa tradição que vem de Amália, de Teresa de Noronha, de Marceneiro... Ela não é só ela: é ela e esta grandiosa tradição. Ana está, umbilicamente, ligada ao nosso passado mais profundo.

Mas, simultaneamente, Ana Moura tem uma inequívoca dimensão de super star que é imediatamente perceptível, mesmo sem a ouvirmos cantar. Quem já a viu/ouviu em corriqueiras entrevistas televisivas sabe do que falo. Ela tem uma presença absorvente, não é uma simples mulher bonita. Enche o écran, como deve encher o palco (ainda não a vi ao vivo). Sabe exprimir-se e, ainda que não seja verdade (não sei se é nem se não), dá-nos a impressão de uma grande autenticidade. Ela é, pois, do passado e do futuro, é tradicional e moderna ao mesmo tempo,é xaile negro e glamour, é sibila e super-star...

Tim Ries, saxofonista de longa data dos Rolling Stones reconheceu-lhe o carisma quando a convidou para o projecto Stones World. Ries reuniu músicos de diferentes géneros musicais para gravar novas versões dos clássicos da banda. A Ana coube No Expectations e Brown Sugar. Mais tarde haveria de ser convidada por Jagger e por Richards para cantar com a banda, em pleno estádio «Alvalixo», No Expectations (diga-se de passagem que não correu nada bem, embora por motivos alheios à fadista: o som estava péssimo!). E, mais recentemente, foi Prince quem se apaixonou pela sua música (só?). O Artista veio a Portugal, Ana tem ido a Detroit e estamos à espera de um disco do duo...

O seu penúltimo disco, Para Além da Saudade, é o que mais passa no meu leitor de CDs. Tenho uma sensação que deve ser parecida com a dos meus pais quando apareceu a Amália. Até ouvir este disco eu pensava que o fado era um género musical prisioneiro dos velhos cds da Amália. Mas agora vejo que não. A Ana Moura não é a Amália e nunca virá a sê-lo. Mas é sem dúvida um imenso sopro de vida num género musical que precisava desesperadamente de uma estrela a sério e não só de simples estrelas locais. Ana Moura, que é antiga e moderna, por mais paradoxal que isto possa parecer, é essa super-star."

Texto retirado do blog Tapornumporco.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Como bons "futeboleiros" q são..., por B

Bom anoo selvajaria! =))

bem, como bons "futeboleiros" q são não vos deve ter escapado mas como também sabia e nunca mais me lembrei de fazer ... fica aqui o link pra votação da uefa da "equipa de 2009" =P have fun ...


http://www1.uefa.com/fanzone/teamoftheyear/news/newsid=929750.html

PS: Os posts voltarão em breve. Época de exames... não está fácil ;)

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