sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Hoje somos a Geração Parva...


Nem de propósito... depois de tantos nomes elogiosos, parece que hoje somos a Geração Parva:

"Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz «Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar». Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada.

Já que aprender, e aprender a um nível de ensino superior para mais, significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida.

Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.

É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar, por isso deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.

Só falta imaginarem que os recibos verdes e os contratos a termo foram criados especificamente para os escravizar, e não resultam do caos económico com que as empresas se debatem e de leis de trabalho que se viraram contra os trabalhadores.

Empolgados com o novo ‘hino’, agora propõem manifestar-se na rua, com o propósito de ‘dizer basta’. Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela."

Isabel Stilwell, directora do jornal gratuito Destak

Mais palavras? Para quê?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Geração à Rasca


Nasci em 1990. Tenho 20 anos e já não sei a que geração pertenço.

Lembro-me de, algures nos primeiros anos do novo milénio, ouvir uma professora dizer numa aula que pertenciamos à "geração rasca". A partir dos meus 11 anos acreditei, pois, que pertencia à essa geração. Sorte a minha... ainda não tínhamos tido tempo para fazer nada e já este rótulo me era colado.

Mais tarde apercebi-me que tudo aquilo tinha sido um erro da professora. A geração rasca não era a minha e, afinal de contas, eu pertencia à "geração morangos", em referência aos Morangos com Açúcar. Ridícula e inútil, portanto...

Entre uma infinidade de nomes para a minha geração, surgem agora os de "geração sem remuneração" e de "geração à rasca". É um facto. Estamos "à rasca" e se há coisa que falta é dinheiro. Mas, caramba, será que fomos assim tão inúteis este tempo todo?

Nós, a "geração rasca", a "geração morangos", a "geração à rasca", a "geração sem remuneração", a "geração casa dos pais", a "geração nem nem" [nem estudam nem trabalham], a geração... uf uf uf! Deixem-me respirar! Será que NÓS somos assim tão culpados?

Fomos nós que deixámos o país chegar a este ponto de sem-vergonhice?
Fomos nós que deixámos o país chegar a este ponto de endividamento?
Fomos nós que metemos estes pulhas no governo?
Fomos nós?

Tentemos olhar um bocadinho para trás. Criticam-nos porque vivemos em casa dos pais até muito mais tarde, criticam-nos por não sabermos como é dura a vida, criticam-nos por termos sempre tudo sem ter de lutar por isso. Outro dia li um texto do Miguel Sousa Tavares que achei delicioso:
«Vi uma manifestação de pais, alunos e professores de uma escola pública, onde, dizem eles, chove em alguns locais e faz frio porque não há aquecimento na escola».
M.S. Tavares, Expresso, 5/2/11
Ora, então, ao longo do texto o autor deliciava-se a dizer que era ridícula a manifestação, porque chover em alguns locais [dentro das salas de aula] e fazer frio é perfeitamente normal. Chega ao ponto de sugerir aos meninos que, se têm frio, comprem cobertores! Tudo isto porque, segundo ele, no seu tempo (adoro o velho não-argumento do "meu tempo") ele ia para escola no meio da serra, tinha de andar a pé pelo meio de montes com um frio desgraçado e, ainda assim, está vivo e bem na vida.

Pois então, segundo Miguel Sousa Tavares, se os pais dos pais dos pais dos pais dos pais dos pais dos pais... dos pais dos nossos pais viviam em cavernas, não tinham descoberto o fogo e andavam nus, então nós, em 2011, teríamos também de andar da mesma maneira.

É com este tipo de crítica que tenho convivido durante os 20 anos da minha existência. A culpa não é da falta de condições que, no ano de 2011, é inaceitável. A culpa é da "geração" que está mal habituada. 

A culpa não é dos professores que tivemos que, salvo raras excepções, foram péssimos, horríveis, medonhos. A culpa é nossa, porque não estudamos o suficiente. 

A culpa não é das pessoas que pagam quantias astronómicas de dinheiro a outras pessoas para
escreverem barbaridades como estas nos seus jornais. A culpa é nossa, porque com o nosso hábito de protestar quando algo está mal lhes damos razões para que eles falem "do seu tempo" dizendo que esse é que era bonito. 

A culpa não é das pessoas que deixaram que o poder no nosso país esteja entregue a uma cambada de indivíduos sem carácter, sem palavra, sem ponta por onde se lhe pegue. A culpa é nossa, porque nos abstemos.

A culpa não é das pessoas que construíram uma sociedade na qual se reelege um primeiro ministro que, em termos éticos, está enterrado até à ponta dos cabelos. A culpa não é nossa das pessoas que só deixam de gostar desse mesmo primeiro-ministro quando ele adopta medidas económicas duras. A culpa não é das pessoas que se estão bem nas tintas para a ética. A culpa não é das pessoas que só se sentem revoltadas quando começam a mexer no seu dinheiro.

Não, meus caros. A culpa é nossa! 

NOSSA, QUE ANDAMOS A VIVER EM CASA DOS PAIS PORQUE NÃO HÁ EMPREGO PARA NÓS E NÃO TEMOS FORMA DE NOS TORNARMOS INDEPENDENTES.  

NOSSA, QUE TEMOS DE IR ESTUDAR PARA O ESTRANGEIRO EM BUSCA DO SONHO DE ESTUDAR MEDICINA, PORQUE O NOSSO PAÍS, EMBORA COM FALTA DE MÉDICOS, MANTÉM POUQUÍSSIMAS VAGAS PARA QUEM MÉDICO QUISER SER.  

NOSSA, PORQUE VIVEMOS ANOS E ANOS A OUVIR MIGUÉIS SOUSAS TAVARES A ESCREVER BARBARIDADES DESTAS SOBRE NÓS E NADA FAZEMOS. 

NOSSA.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar"

 

Goste-se ou não do grupo, goste-se ou não da música, que se comente. Porque a letra é sobre nós. E porque nos próximos dias o tema será este...




Deolinda - Parva que sou


Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me p'ra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Benfica deu um valente cascudo no fóculporto e eu reedito aqui a crónica do jogo à maneira do Automotora, por Tó Motor


O Benfica ganhou ao Fóculporto por 2 a 0. Aconteceu no Ladrão. A análise do Jogo

Foi um grande jogo de futebol, como se costuma dizer, aquele a que anteontem se assistiu no Ladrão, entre o Porto e o Benfica. Mas o desfecho, se bem que inesperado para muitos, não foi surpresa para mim. Desde há algum tempo que venho dizendo: não ponde o Cardoso a jogar naquela posição, pelo miolo do terreno!

Isto porque, convém dizer, sempre fui apologista da táctica 1x3x3x4, com um médio recuado e lateralizações pelos flancos, a fazer a dobra. Da forma a que ontem se assistiu, nunca! O único que esteve bem foi o Sidnei, a fazer lembrar o Humberto Coelho, com os seus passes milimétricos para o Luisão, num esforço assinalável de sinergias a que se associou o Xavo, esse poço de garra, sempre na dobra.

O Salvio, por sua vez, parecia perdido nas dobras, sem uma clara linha condutora, afunilando o jogo pelos flancos, a fazer lembrar o Humberto Coelho. Valeu-lhe o Maxi esse poço de força, a fazer as dobras, a meter o pé nos flancos, sem se amedrontar com o Fernando que não o largava, no homem a homem. Esteve também muito bem o Gaitan esse dinamo, esse animal de área, como costuma dizer-se, a fazer lembrar o Humberto Coelho, imbatível no um para um (-----»«-----), sempre na dobra, ali, no miolo, a lateralizar para a grande área. Um autêntico perigo para o sector médio defensivo contrário.

E o saviola, esse bambino d’oro, esse animal do miolo? Ó meus caros, é o que eu sempre tenho dito: ponde-o no ataque, que ele dá conta do recado! Meu dito, meu feito! A gizar jogadas, daquela forma, nem o Helton o segura. Foi o melhor em campo. Pecará, talvez, por algum individualismo, mas mesmo essa sua faceta é compensada pela sua entrega ao jogo, pela sua alegria de viver. Em suma, esteve eficaz, e aquele seu pé esquerdo fez estragos na defesa contrária, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

Os tripeiros chegaram mesmo a andar de cabeça perdida, e foi muito feio, muito feio mesmo, aquela atitude do Rolando, que só o árbitro não viu. Não viu muita coisa, diga-se de passagem… Uma palavrinha sobre o árbitro: árbitros desta categoria dignificam o espectáculo. Ali, sempre na dobra, sempre a lateralizar pelos flancos, foi um dos homens do jogo. Nota 10, portanto, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

Uma última palavra para o Júlio César, esse poço de força e de alegria. Mas aquela posição não é claramente a dele, e isso foi patente ao longo de todo o encontro. Não se percebe que o Benfica vá buscar um jogador destes, e o desaproveite daquela forma. Sente-se que joga de forma triste, sem garra, e não ajudam atitudes como aquela que o Rolando teve para com ele. Foi triste, uma mancha negra na sua carreira. Mas é jovem, e tem tempo para arrepiar caminho.

O Treinador do Benfica, o Jesus, tem um longo trabalho de balneário pela frente… E vou eleger agora a melhor jogada de todo o encontro: aos 35 minutos, o Luisão conduz a bola. De repente, vê o cardoso e lateraliza pelos flancos, corre trinta metros e passa ao saviola Este por sua vez, corre pela esquerda, em sinergia com o gaitan, e passa a bola ao peixoto num passe milimétrico de trinta metros, que o árbrito deixa passar, e muito bem, numa boa leitura do jogo. Infelizmente, não havia ninguém a fazer a dobra e a bola perdeu-se pelos fundos.

Quanto ao Fóculporto, não há muito a dizer. Dignificou o espectáculo e foi um justo venceido embora tivesse sido triste aquela atitude do Maicon. Atitudes como aquela ficam-lhe mal e não contribuem para a dignificação do espectáculo. Bom, finalizando, o resultado podia ter sido outro, se o desfecho tivesse sido diferente, mas a vida é como é, sempre na dobra, sempre pelos flancos, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Já nasceu...



É verdade, meus caros: nasceu. Depois de algum tempo de trabalho consegui reunir material suficiente para dar forma a um novo blog.

O nome previsto para o blog seria O Rio Visto Por Nós. Mas houve um problema que não soubemos resolver: já viram como ficava o link do blog se, de facto, lhe déssemos esse nome? Exactamente: oriovistopornos. Como a malta de intercâmbio achou que um blog com a palavra "pornos" no seu link seria "má onda", acabámos por optar por um nome bem mais simples (apesar de termos a noção de que "pornos" tornaria o blog bastante mais procurado).

O link deste novo "filho" é http://intercambiorio.wordpress.com/. Agora peço-vos: façam um esforço. Toda a gente se esquece do nome do blog, mas eu acho que não é assim tão difícil de decorar. Vou explicar como se vocês fossem todos muito burros:

http:// - até aqui tudo normal.
intercambiorio - expressão formada pela soma das palavras intercâmbio + rio. 

Aqui importa explicar que "intercâmbio" aparece sem acento, porque estes não podem ser usados nos links de sites. E a escolha da palavra "intercâmbio" deve-se ao facto de o blog ser feito por estudantes que estiveram em... (imaginem!) INTERCÂMBIO!

Agora a parte mais difícil... de onde vem, então, a palavra "rio" que aparece no link? Estou certo de que nenhum de vocês conseguiria imaginar, mas o facto é que, num blog sobre o RIO de Janeiro é natural que apareça qualquer coisa relacionada com a cidade em questão. E, já entenderam, o "rio" de que vos falo é esse mesmo: o de Janeiro.

Em suma: intercâmbio+Rio= intercambiorio.

wordpress.com - assim como no VaiPaSelva temos o "blogspot.com", neste caso optámos por criar o blog no Wordpress.

Feito o meu trabalho de explicação do nome resta-vos, agora, adicionar o blog aos favoritos para não mais terem de pensar nisto tudo. E partilhá-lo com os vossos amigos, claro. Não sei se ainda se lembram, mas o link é http://intercambiorio.wordpress.com/.

Ele espera por vocês...
... ah! E o VaiPaSelva não morrerá!

David Luiz

Desculpem estar a postar mais David Luiz, mas estes vídeos, além de extremamente engraçados, mostram também a óptima pessoa que este rapaz é. Apreciem



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