terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

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Espero. Não. Nem espero nem já despespero.

Estou aqui prostrado à espera que a vida, ou a morte?, decida o que fazer comigo.


Estou preso. Preso à realidade que a minha vida é real como ela é. Que só posso voar enquanto durmo, que só ganho asas enquanto sonho. E quando me drogam. Eu não preciso daquilo. Não me apaga as dores mentais, só as físicas. Não me serve de nada, estou a morrer. Vou morrer às 22h de dia 7. está quase já me vou poupar de todo este sofrimento, de todo este martírio, desta espera, deste desespero, de não saber o que querem de mim, porque não me poupam. Quais os desígnios daqueles que podem mudar o mundo? Não o mundo, mas o meu mundo. Não que possam fazer muito vou morrer mas nem me tiraram estas correntes Estas correntes que me prendem... Que não me deixam sair o pequeno do quarto do vão da escada. Está outra vez de castigo. O senhor da casa havia-o apanhado a ler o jornal, ou a tentar, supunha ele. Só os escolhidos podem ter educação. Olha para ti, achas mesmo que és um deles? Vais para a despensa e só sais de lá quando eu me lembrar que me esqueci de ti, falava o homem com a altivez e arrogância de um dos homens do Regime. Os Homens. Aqueles que proclamavam a necessidade de um mundo melhor, onde tudo é como devia ser. A pobre mãe do rapaz é que não está como devia ser pobre coitada a chorar e a trabalhar a trabalhar e a chorar Não tem por onde sair do buraco onde se meteu a ela e ao seu filho.


Quem sou eu O que sou eu Onde estou eu Quando estou eu. Não sinto não cheiro não vejo não ouço. Sou quase nada e a data deve estar a chegar. Finalmente vou para a guilhotina, mostrar-lhes que nem tudo é como eles querem. Quero. Cigarro. Já. JÁ!


Meu Deus, devo estar louco...

4 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Mau disse...

Uau! Como tinha dito andava com muitos exames e agora (apesar de continuar) tenho uma semana um bocadinho mais folgada. Tal como tinha dito, a primeira coisa que faria era ler os textos do Outro.

Há uns melhores outros piores. Há algumas frase na qual me escapa o sentido e em que fico a pensar se estão assim de propósito ou não. Mas há momentos fantásticos. Comentei hoje todos os posts desde a minha "desaparição" desta selva. Podem ver o que penso deles um a um.

Aconselho, mesmo, a que os leiam. Mas com tempo. Não numa fase de stress.

Por vezes há frases que nos pedem para serem lidas em voz alta, para que as apreciemos como se de uma canção se tratasse. Esta passagem foi uma delas:
"Quem sou eu O que sou eu Onde estou eu Quando estou eu. Não sinto não cheiro não vejo não ouço. Sou quase nada e a data deve estar a chegar. Finalmente vou para a guilhotina, mostrar-lhes que nem tudo é como eles querem. Quero. Cigarro. Já. JÁ!"

Mau disse...

Outra questão, Outro: não sei até que ponto a genialidade chegará a tanto... mas quando dizes "Vou morrer às 22h de dia 7.", isso quer dizer que é nesse dia (7 de Fevereiro de 2010, no VaiPaSelva) que a história acaba?

Kikas disse...

Tal como o Mau já referiu num comentário a um outro post, sou uma das pessoas que andou em exames, daí não ter comentado assiduamente.

O meu post favorito foi o "4 e 5" (apesar de se tratar simplesmente do "5") porque abordas a hipocirisia, as manias e os preconceitos da sociedade, gostei muito desse; mas confesso que estes últimos têm andado muito à volta do mesmo, o que demonstra a loucura em que o prisioneiro está a entrar mas por vezes não cativa tanto a leitura.

Mas num balanço geral, gosto muito da tua escrita, acho que deves apostar nessa arte;)

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