Durante três anos de estudos na Universidade de Coimbra passei sempre um pouco ao lado das questões políticas que lhe estão inerentes. Este ano, porém, por diversas razões, comecei a estar mais atento à política na Associação Académica de Coimbra e a tudo o que dela depende.
Sempre achei que era nos estudantes que devia estar a vontade de mudar, de romper com "aquilo" que vemos no nosso país. De romper com os políticos que vemos no poder. De limpar a sujidade que deixou Portugal na situação em que está.
Acontece que ao olhar para o que se passa na nossa Academia, facilmente percebemos que ao contrário do que desejava... não são estes estudantes que farão o país sair do buraco em que se meteu. É incrível, assustador e, arrisco, repugnante o que se assiste nas polítiquices dos estudantes da Universidade de Coimbra.
Os joguinhos de interesses, os favores, os votos no Zé para um cargo em troca do voto no Manel para outro, as pressões, as ligações entre as juventudes dos partidos políticos e a Academia... tudo, mas tudo me faz lembrar o que deixou o país no estado em que está. Também aqui os eleitos se esquecem de que se comprometeram com os estudantes e não consigo mesmos e com os seus próprios interesses. E eu, quando vejo o que vejo, fico sem saber o que hei-de fazer ou pensar.
Quando a falta de escrúpulos e as votações compradas começam quando há em jogo coisas tão banais e pequeninas como estas, quando não há princípios e nem sequer vergonha e quando isto começa desde que eles são pequeninos...só posso sentir-me repugnado com estas pessoas.
Já estamos habituados a que sejam os incompetentes e as pessoas sem escrúpulos e princípios a triunfar na política nacional. Provavelmente quem está mal é quem não abdica de determinados princípios, mesmo que para isso tenha de abdicar de outras coisas de que gostaria imenso. Tenho orgulho de fazer parte desse grupo de pessoas e tenho orgulho de ter um primo que se vai candidatar mesmo sabendo que é, à partida, o candidato derrotado. Fá-lo consciente disso em nome de, vejam lá, princípios. Por isso digo que, mesmo que daqui a uns dias vejam o Francisco como candidato derrotado a Comissário Geral da Queima das Fitas... será sempre o maior vencedor dessa eleição. Porque se candidatou por amor e porque, por esse mesmo amor, recusou trair os seus próprios princípios mesmo sabendo que isso lhe poderia dar a vitória. E este, para mim, é um exemplo de pessoa que poderia ajudar a mudar este país - por oposição a todos os outros que, certamente, um dia o estarão a governar.



