Não podiamos começar a Queima sem o tradicional vídeo, pois não? Até Domingo! Cá estaremos a festejar o título ;)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
A Leirosa, por Marsápio

Disseram atrás que o Praia da Leirosa merecia post. Pois eu sou eu a ter a honra de fazer um post sobre este fantástico tema.
O Praia da Leirosa é uma equipa da Distrital de Coimbra. Acontece que, e estou a falar da Divisão de Honra, ao contrário do que eu imaginava as equipas são bastante respeitadoras. Ainda assim, como em todo o lado, há excepções que - sabe-se - confirmam a regra. Uma dessas excepções é o Marialvas. A outra é o Clube Recreativo da Praia da Leirosa.
Conta quem já lá foi que as tardes de Domingo nessa terra são altamente animadas. A malta reúne-se toda no campo, homens e mulheres, e vão apoiar a sua equipa ao seu pelado que tem um cheiro bastante característico. As condições são as mesmas de quando lá fui há 10 anos atrás. E, provavelmente, as mesmas - embora, hoje, num maior estado de degradação - que eu encontraria se lá tivesse ido há 30 ou 40 anos atrás. Mas não é isso que marca aquela equipa...
Os jogadores do Leirosa... ah, os simpáticos e bem tratados jogadores do Leirosa! Ora, vou evitar descrevê-los por uma simples razão: tenho medo. Não que haja razões para isso. Porque fora o facto de um me ter dado uma cabeçada num amigável porque eu o puxei (palavra de honra que só lhe puxei a camisola) não tenho razões nenhumas de queixa. Até porque foi a única vez que joguei contra eles este ano. As únicas coisas que posso dizer sobre aquela equipa é que o único pré-requisito para entrar na mesma é poder ser identificado na rua como mitra e ameaçar tudo o que mexe. Depois, dentro de campo, cabe-lhes dar porrada em tudo e em todos e ameaçar os adversários dizendo:
"Primo, eu conheço-te. Vais ver que qualquer dia apareces numa valeta!"
Ah, sim! Já me esquecia de explicar... para aqueles jogadores todas as frase começam por "Primo,". Deve ser um pouco à imagem do senhor do Gato Fedorento que tratava toda a gente por Sr. Vítor, para facilitar. Ali todos são primos. Os colegas de equipa e os adversários.
Para além dos jogadores há ainda o público: gente de todas as idades e de ambos os sexos que vão ao campo para fazer do futebol uma festa. Como todos sabem, a festa fica muito mais completa se existirem agressões, sangue, refugiados, cânticos bonitos e frase poéticas como a que me recuso a reproduzir, deixando-a à vossa imaginação - tudo o que digo é que a mulher do guarda-redes lhe prometia orgulhosamente e em altos berros qualquer coisa. Nem eu, Marsápio da Conceição, sou javardo o suficiente para a reproduzir por escrito. Mas a senhora gritava-a para gáudio de todos os presentes! E não venham dizer que é uma aldeia de pescadores a quem nada mais se pode pedir. Isto porque bem perto, na Gala, há outra equipa (que, por acaso, também desceu de divisão) que sabe o que interessa num jogo de futebol, ainda para mais entre equipas amadoras. Uma palavra de apreço, assim, para a equipa do Cova-Gala.
É um pouco por tudo isto que se sabia que no último e decisivo jogo do campeonato 90% dos acompanhantes da Divisão de Honra torciam pelo Poiares, por oposição ao Praia da Leirosa. O resto das pessoas eram do Poiares para não premiar o Leirosa um pouco por tudo aquilo que referi. Mas eu, tal como o anónimo do post anterior referiu, torcia pelo Poiares porque desde o início do campeonato eu defendo que uma equipa com jogadores com estes nomes tem de ser premiada. Não sei quem são e não sei as suas posições em campo. Mas já viram o que era jogar com uma defesa composta por Tuca, Sabino, Chiolas e Fifi, um meio campo com Carlão, Breda e Matado e um ataque com Rato, Morsa e Nando Zé?!
Aposto que agora conseguem partilhar a minha felicidade, tal como a do Chiolas, do Morsa e do Sabino, ao saber que o Poiares conseguiu a manutenção...
Cliquem aqui se quiserem ver o vídeo do jogo da primeira
volta entre Leirosa e Poiares na Liga dos Últimos (a partir do minuto 11)
domingo, 2 de maio de 2010
Parabéns!
Tal como tinha dito, hoje haveria post qualquer que fosse o resultado. Portanto, queria dar os parabéns ao Poiares que hoje venceu o Praia da Leirosa, mantendo-se na Divisão de Honra e mandando os outros para 1ª Divisão Distrital.
Um outro olhar sobre o futebol
Chamem-me pessimista, mas hoje temo o pior. Veremos até que ponto este dia será ou não de festa. E independentemente de quem ganhe, será de festa se não houver mortos nem feridos. Ontem o autocarro do Benfica foi recebido com pedradas. A reacção, no site do clube foi: "Para aqueles que querem fazer deste jogo de futebol algo que ele não é, a nossa única resposta dever ser a indiferença".
Infelizmente há muita - demasiada - gente a ver no futebol uma guerra e em cada jogo uma batalha. Amanhã, para muitos, será A batalha. É triste que um adepto não possa ir ver a sua equipa porque tem medo. E acho que isso só seria possível com castigos muito mais duros para os adeptos. Com câmaras apontadas a eles de forma a que pudessem ser facilmente identificáveis. Já que não podemos contar com o bom-senso humano, que se conte com o medo de uma prisão. Se é preciso isso para que o futebol se torne na festa que ser, que o façam. Seria triste haver um título vermelho não só pelo Benfica, mas também pelo sangue que se prevê.
Como adepto de futebol e principalmente como adepto da FESTA que deve ser o futebol, desejo que seja um jogo fantástico hoje à noite. Se tudo correr pelo melhor certamente que cá poderão passar depois do jogo para festejar - qualquer que seja o resultado.
Ainda assim, não posso deixar de dizer: com a reacção que teve aos ataques de que foi alvo, o Benfica será sempre o vencedor. E mesmo que não ganhe o campeonato já hoje... lá terá o Cortejo da Queima das Fitas muito menos gente no próximo domingo!
sábado, 1 de maio de 2010
Estou um velho nostálgico e falo sobre futebol, estudos e... Rol
Estou velho! Dói-me o joelho, dói-me parte do antebraço. Dói-me a parte interna de uma perna e parte amiga da barriga, que fadiga...
Não sei bem até que ponto a geração de 90 reconhece este pedaço de letra de uma música. Foi cantor que entrou em desuso, bem sei... mas isso agora não interessa nada. O que eu sei é que, do alto dos meus 19 anos começo a sentir que estou velho. Porquê? Já lá vamos...
O primeiro dos sintomas, ao contrário do que diz o excerto que serve de mote ao presente texto, não foram as dores no joelho, na perna ou na barriga... até porque essas já me acompanham desde criança! O primeiro factor traumatizante foi o futebol. Quando chegamos a uma fase onde começam a aparecer jogadores na televisão que têm a nossa idade ou até que têm um ou dois anos a menos que nós, logo sentimos o peso da idade a vergar-nos mais um pouco. E pior fica a situação quando vemos pessoas que só por acaso não foram nossas colegas de equipa a jogar a titulares em equipas da primeira liga. Aiai, como me dói o joelho...
Passemos ao segundo factor de velhice: Bolonha. Sim, o Tratado de Bolonha tende a tornar os estudantes velhos. Quem diria que ao fim de dois anos de curso só me fica a faltar mais um para ter uma licenciatura e começar logo a trabalhar. Chego ao mercado de trabalho com 21 anos e... VELHO! A vontade que dá é ficar mais alguns anos a estudar. Quanto mais não seja a estudar o que hei-de fazer para conseguir aproveitar um pouco mais esta velhice ainda precoce, porque para velho chegar-me-á a fase em que a idade no BI me obrigue a nunca mais olhar para mim como um jovem. Sei que estão a roubar qualificações a quem tem mestrados, licenciaturas e doutoramentos de anos e anos. Mas - posso ser o único - preferia que não roubassem nada a ninguém. Não havia Bolonha, as etapas continuariam as mesmas e não se fariam 10/12 cadeiras por ano. A malta mais velha esquece-se que a pressão para fazer tudo a correr também não nos agrada. Tira-nos anos de vida. E o pior é que acho que ainda por cima saímos bem pior preparados do que os nossos pais... dói-me mesmo parte do antebraço.
Passando agora ao lado que mais velho me fez sentir. O do Rol. Muitos de vocês nem saberão o que é o Rol. Mas eu sei. E bem. O Rol é um gelado que eu comi algumas vezes enquanto criança - há umas valentes centenas de anos, portanto. Quando o descobri fiquei maravilhado. Era algo diferente do que tinha provado. Até porque tudo o que comia até então eram Cornettos de Chocolate, Super Maxis... tudo o que metesse chocolate! E o Rol abriu uma nova gama de sabores na minha curta vida. Mal eu o descobri... ele saiu do mercado. E fiquei durante todos estes anos a lamentar a perda de um sabor da minha infância, tal como o faziam os meus pais e avós. Que dores na parte interna de uma perna e parte amiga da barriga...
Acontece que este ano reapareceu o grande Rol entre os cartazes de gelados da Olá. Fiquei entusiasmado e... desconsolado. Por um lado tinha a oportunidade de recuperar aquele sabor a futebol de manhã à noite, aquele sabor aos dias de praia, de piscina, às festas da primária. Por outro lado surgia uma grande questão: até que ponto esse sabor não me teria ficado gravado mais no coração do que na razão? Será que o sabor se mantinha como eu o imaginava? Ou tinha sido um gosto aperfeiçoado e temperado por longos anos sem o poder sentir, um sabor a saudade, mais do que a um gelado?
Foi, portanto, a tremer que pedi um Rol e decidi prová-lo. Logo me apareceu um sorriso nos lábios. Vi-me sujo de terra, cheio de nódoas negras e de feridas a jogar futebol e a brincar com os meus amigos de infância. Parece-me que, apesar da velhice, encontrei o Elixir da Eterna Juventude...
PS: Espero que a Olá saiba agradecer monetariamente a quem tanta e tão boa publicidade lhe faz.
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