Eram muitas as vezes que eu, um preto no mundo dos brancos, me via ali encostado à janela de minha casa, a pensar no que tinha perdido para perseguir, primeiro, o sonho de ser jogador profissional e, agora, de ser professor. Sim, tinha saudades de casa, da família. Tinha uma enorme mágoa: a de ter vivido tantos anos na selva sem que a tenha explorado devidamente.
Cumpri o meu sonho de tirar um curso. Tive boas notas. Tornei-me conhecido. Tinha uma boa casa, um bom carro, finanças equilibradas, emprego garantido, salário generoso... e livros. Muitos livros!
Por outro lado olhava para trás e sentia uma lágrima a correr-me pela face. Tinha a vida com que todos sonhavam... todos menos eu. E era comum ficar ali, encostado à janela a sonhar acordado, a chorar um sonho cumprido. Ficava parado com um chocolate na mão e as lágrimas a escorrerem-me pela face, a ver a chuva a cair. E via a chuva a cair mesmo que estivesse um dia de Sol. Porque naqueles momentos eram a saudade, a tristeza, a vontade de partir que me invadiam. E por mais Sol que estivesse na rua não faria sentido eu estar triste e a chorar sem chuva a cair. Por isso, para mim, a chuva caía. E quanto mais Sol estava mais eu a via a cair.
Tinha aprendido que o mundo era eu que o fazia. E conseguia transformar o dia de Sol mais radioso num dia de chuva. Conseguia mesmo. Tudo porque a tristeza tem esse poder... e a saudade também.
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Tanto que este texto nos diz: começa por nos alertar para o facto de subaproveitarmos as oportunidades que temos e de, infelizmente, só mais tarde nos apercebermos disso; mas o alerta continua e estende-se para quando deixamos o que verdadeiramente nos faz feliz (mesmo que não o percebamos no momento), numa busca do que pensamos que nos fará ainda mais felizes e que é necessário para nos sentirmos completos, mas quantas são as vezes que nos engamos.
ResponderEliminarPor último, de que é que nos valem os bens materiais quando tudo o resto nos falta? O tangível pode saciar o corpo, mas só o que não se pode tocar e apenas sentir pode saciar a alma.
Lindo texto Mau, e sábias palavras. Muito bonito mesmo. Já conhecia o teu dom da escrita e palavra, mas surpreendeste com este texto. E mesmo estando eu de férias no Algarve com um pouco de sol lá fora, não é que de repente começou a chover!!??? E lá fui eu encostar-me á janela relembrar tempos idos, quando os sonhos a conquistar eram outros...
ResponderEliminarObrigado amigo por este momento!!
A magia de Mau não é só nos relvados ;)
ResponderEliminarEstou a gostar muito do que estou a ler, continua..
ResponderEliminarSei que o fazes por gosto de escrever e nunca deixas de escrever para todos nós. Obrigado Mau
Só te digo isto pq sei quem tu és, devo ser sempre a ultima pessoa a elogiar alguém pttanto... não te estragues :)
Desculpa a minha ausencia no blog...
Awesome! :)
ResponderEliminarNao sei porquê, mas fizeste me lembrar, agora, quando estava no 10ºano e quando tu leste aquele texto na aula de portugues!
Devias postar esse texto no VPS!
Mau, o número 10 da escrita!
ResponderEliminarNo entanto, tenho a dizer-te que estou profundamente desiludido contigo, não apareço na história, é?
Grande texto, grandes comparações, grandes referências!!
ResponderEliminarRealmente ninguém é feliz com todos os bens materiais do Mundo se lhe faltar AMIZADE, amor ou qualqer outro sentimento.
E é meme isso, a amizade, qe alimenta o blog e toda a nossa história.
Ah, e o livro está BRUTAL ! :D
Agora fazem jantares uns em casa dos outros?:D ahah
ResponderEliminarBem, acho que está na altura de apresentares este livro a uma editora para ganhares uns fundos para o proximo jantar;)
o quê?
ResponderEliminarNão percebi maldini...
"Agora fazem jantares uns em casa dos outros?:D ahah"
Um texto escrito desta forma, dá que pensar...
ResponderEliminarPor tudo o que já passámos enquanto miúdos e o que passamos diariamente na vida social e na vida escolar.
A grande lição de vida que se pode ter é a aprendizagem que estamos sujeitos diariamente.
Podemos não conseguir atingir o topo, mas podemos e devemos lutar para que isso aconteça, em que circunstância seja.
Abraço
Mais uma etapa do retrato da equipa, nada mais...
ResponderEliminarO melhor texto que aparece no livro até agora. Bem escrito e que é, ao mesmo tempo, um autêntico "manual" do ser humano. A saudade, a tristeza, a nostalgia, o poder de viver...
ResponderEliminarMuitos parabéns, Mau! Próximo amanhã a que horas?
E a imagem... lindo!
ResponderEliminarO melhor... parabéns, Mau!
ResponderEliminarEm primeiro lugar, obrigado a todos os que têm tido paciência para ler estes textos.
ResponderEliminarEm segundo, muito obrigado a todos os que se preocupam em comentar os textos. É sempre bom ter a certeza de que há alguém a lê-los e a gostar (ou não) deles.
Em terceiro lugar, MUITÍSSIMO OBRIGADO ao Kapitão, que fez um comentário que, na minha opinião, está bem melhor que qualquer post.
Obrigado a todos, do fundo do coração.
Ah... é noite. Lá fora continua a chover ;')
Amanhã (ou hoje) às 11horas, Asus ;D
ResponderEliminar"Em segundo, muito obrigado a todos os que se preocupam em comentar os textos. É sempre bom ter a certeza de que há alguém a lê-los e a gostar (ou não) deles." serviu-me lol
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