domingo, 31 de janeiro de 2010

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Acordo. Não foi desta. Cabrões de merda, salvaram-me.

Salvaram-me não, condenaram-me à sua execução.



Estou preso, não me consigo mexer. Devem-me ter posto um colete de forças para não repetir a "gracinha".



E agora?

Deve ter dado resultado. O meu estrebuchar todo por aparentemente razão nenhuma deve ter feito o louco compreender que eu queria um dos meus últimos cigarros. Merda. Só me resta mais um. E vida? Quanta me restará?

Será que estes pseudo-deuses não têm mais vontade de me riscar do mapa?



O tempo pára, o tempo não passa. O tempo é mudo, o tempo desgraça. Quero sair, quero escapar, quero voar. Voar daqui para fora, para outra cidade, outro país, outro mundo. Este não tem mais nada que me possa oferecer que eu ainda queira.

Vivo entre pares, pares conhecidos. O que eu queria era andar entre iguais, desconhecidos.

O tempo flui, o tempo escoa. O tempo mói, o tempo voa.



O céu é azul O céu é infinito Plano por entre as nuvens O mundo é meu o mundo é o que eu quiser. As cidades lá em baixo são tão pequenas tão insignificantes. Que liberdade o mundo é meu e eu sou dele. Eu sou o que eu quiser. Mas quem sou eu? Preciso de descobrir o mundo quem sabe descobrir-me a mim. Quem é que eu sou? O que é que eu sou? Preciso de mudar; mas para que? No que me vou eu tornar? No que eu me tornei? Só sei que quero ser melhor mas para onde é o melhor?

Estou a morrer lentamente prestes a morrer A minha vida está-se a escoar e eu ainda penso em melhorar Para quê Para que vai servir Mas ao menos ando livre pelos céus Desço Desço mais rápido Desço a pique O chão aproxima-se vertiginosamente de mim Vou-me despenhar.



Acordo. Porque não são os sonhos realidade? Porque é que só os sonhos são feitos de realidade e não a realidade feita de sonhos? Porque é que não se realizam?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Talento Nato

Caros Selvagens, hoje venho para vos fazer soltar algumas gargalhadas. Há pouco tempo, um Amigo meu mostrou-me alguns dos vídeos (em baixo) de um rapaz que tem uma forma soberba de cantar, aproveitando ao máximo a sua capacidade vocal. Vejamos:

Aqui mostra-nos o seu lado Rock, ao cantar "Sweet Child O'Mine" dos Guns n' Roses. Mostra-nos também que toca Guitarra tão bem como o Slash e canta melhor que o Axel:





Também canta Linkin Park, acompanhando a música com uma coreografia típica deste estilo de música





Consegue também adaptar a sua voz super Masculina a músicas na onda de Miley Cyrus e Pussycat Dolls. Não acreditam?







Por último a que eu acho mais engraçada. A introdução é genial. Deixo-vos com "Barbie Girl" dos Aqua.

Já sabem, se se quiserem rir com (e de) este menino, escrevam no Youtube "me singing" e o nome de uma canção qualquer, pois este menino tem um vasto Portefólio !

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Que Pi(ropos + rosos)



Falemos aqui da essência do Piropo.

Há uns tempos estava eu a conjecturar qual seria a forma mais eficaz de abordar uma miuda interessante na rua. Bastaram uns longuíssimos micro-nanésimos de segundo até me surgirem centenas de piropos adequados às mais variadíssimas situações- sim, no que toca a piropos tenho uma capacidade de processamento fora de série :)

Okok, também tenho que admitir que desses 1001 piropos que me vieram a cabeça, talvez 1000 eram completamente estapafúrdios e o restante piropo era só meio parvo com algum potencial de sucesso.

Mas havia em todos esses piropos qualquer coisa em comum. Todos eles abordavam a jovem com recurso a outra coisa. Não é fantástico?




Vejamos o famoso piropo de rua:
"Oh estrela, queres cometa?"
-MEU DEUS! O que é isto? - pensamos imediatamente.

Mas sejamos críticos. O que tem em comum este piropo com um piropo mais softskilled do género: "Como te chamas? Espera, deixa-me adivinhar. Cheirosa como és deves-te chamar ROSA"

"WHAT??eu não li isto". Pensam vocês.

Ehpa, por amor de Deus. Parem de me interromper! Abstraiam-se do substracto de estupidez e foquem a essência da coisa.

A verdade é que é raro o piropo instantâneo que surja com base na pessoa. Se surje com base nas mamas da jovem logo dizemos que ela "bai tôda descaPUTAbel" xD. Todo o piropo serve-se de referência a outras coisas que achamos bonitas. Comparar miúdas a carros de alta cilindrada - "Ehpa, olha-me aquele Ferrari!"; a corpos celestes; a bolos ou doces; sei lá que mais. Tudo isto é reduzir a supérfluo aquilo que é a essência de uma mulher verdadeiramente interessante.

E as miúdas perfeitas? Aquela miúda que não é parecida com um avião mas que é BOA!? Aquela miúda que não nos lembra uma estrela cadente mas nos faz desejar o que não podemos ter?; Aquela miúda que, no final das contas, perto de nós em vez de nos fazer pensar em piropos parvos nos faz preferir estar calados com medo de dizer asneira. Mesmo quando isso pouco importa porque, no fundo, mesmo lá no fundo, sabes que dizendo ou estando calado aquilo nunca vai ser água para teu bico. Ou se preferirem, será sempre areia de mais para a tua carroça - adoro esta expressão.

A essas é que fazia sentido mandar os 1001 piropos com lógicas terriveis. Mas a verdade é que não tens coragem. A verdade é que essas repelem a técnica do lança o isco a ver se pescas - com o passar do tempo este desporto tem seguido contornos mais sérios. Num futuro próximo dará direito a estatuto de alta competição sugerem-me fontes seguras. Adiante

O que irrita no meio disto tudo é que essas (miúdas aparentemente perfeitas) são as únicas que valem a pena.

Haverá forma de dar a volta a isto? Estará prestes a nascer um novo ramo de estudo da Piropologia? Temos de aguardar que os estudiosos da coisa façam progressos. Cá estarei para divulgar novos avanços no estudo do Piropo.

Deixo-vos então com o meu pensamento do dia que me levou a toda esta lógica parva e complicada - que aliás fiz questão de introduzir logo no titulo desta "posta"


"Se fosses um carro eras um descapotável. Se fosses uma leguminosa eras milho. Mas como não existes não passas de um sonho" - conclusão: miúdas perfeitas não teem direito a piropos

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As searas cantam com a música do vento. Douradas como os belos cabelos de uma donzela pertencente a uma corte de tempos idos. Ao longe, uma criança correr. Pequena, enérgica, feliz; a brincar com o aviãozinho de madeira oferecido pelo pai no aniversário. O mundo era só ele, o céu azul, as searas douradas, e o seu avião. Não era preciso mais nada para a vida ser perfeita.



- David, vem para casa! - grita a mãe, lá do fundo, junto a um enorme alpendre de uma vivenda das antigas, de madeira.



Ao longe, a casa parecia agradável. Paredes pintadas de branco, a cadeira usual no alpendre, ele próprio virado para oeste, de modo a que o sol lá irradie a sua alaranjada luz nos longos fins de tarde do Verão, enquanto um homem lá está sentado, bem vestido, a ler o seu jornal. Um homem como um qualquer outro homem de negócios bem sucedido, que procura descontracção na pacatez de uma casa no meio de uma enorme herdade como que abandonada, como que uma galáxia no centro do Universo.



- Vamos rápido comer para depois ouvirmos a novela da noite na rádio. - disse a mãe com ansiedade.



- Chama lá a Maria, para nos vir servir, a ver se nos despachamos. - retorquiu o homem com firmeza.



Aparece então a Maria, depois de chamada, com a panela da sopa para servir o patrão e a família. Trazia o seu pequeno consigo, camuflado no meio das suas saias. Ele ainda tinha medo do escuro, não podia ficar sozinho.



A criança, a meio do serviço da mãe, assusta-se com o olhar severo lançado pelo adulto e puxa as saias da mãe. Caldo entornado. Literalmente. Sujou a mesa toda, incluindo o patrão e o filho com o seu avião de madeira. O pequeno com medo do escuro tinha agora, como sempre, ainda mais medo do patrão e, petrificado com terror das represálias que iriam surgir, fica imóvel com o olhar pregado no chão.



- Merda do surdo que não há meio de desaparecer da nossa vida!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

4 e 5



Estou na minha cela, já não estou sozinho. Entrou alguém. Mais algum condenado à morte, o meu novo companheiro de cela. Já desespera, sinto-o a ir contra as paredes com violência, sinto o chão a tremer com os gritos dele. Há-de deixar de desesperar, há-de passar a esperar. Porque não me bate? Porque estamos os dois condenados à morte? Que espécie de compaixão é esta? Um passaporte para ir para o céu?


Mas que céu? Ele existe? Ninguém sabe! Loucos! Cobardes! Medrosos. Tenho pena dele. Ele também há-de ter de mim, mas e então? Qual das penas a maior? A física ou a mental? E moral! Tristes são aqueles que julgam que são os detentores da razão!

Estão tão enganados, pobres coitados... Hão-de acabar a nem terem um pão de comer. Estou preso, nest cela do corredor dos condenados à morte deste amaldiçoado país, deste maldito mundo! Desta prisão que não tem nome, que é a minha prisão, onde vou sofrer a minha condenação. O mundo está preso por um fio, um mero fio, de lão, linha, nylon, o que interessa? E apenas um fio, um pequeno fio. Fio cortado, vida esmagada, desperdiçada, espezinhada por uns meros animais. Sim! Animais! Porque os seres humanos não são frios, são gelados. Não compreendem o passado, não me compreendem a mim.


Não aguento mais... Não aguento esta dor de cabeça! Não aguento esta dor que me consome todo o corpo! Não aguento... Pura e simplesmente, não aguento. Acabem-me já com este sofrimento, acabem. Já. Não consigo esperar... Esperar para quê? Não vejo e não ouço. Eles controlam as horas a que como, controlam a que horas dou uma volta, controlavam-me as horas a que dormia e as horas que dormia. Controlam a minha vida... O que vai restando dela... Porquê? Porque o haverão de fazer? Porque haverei eu de deixar? Eles bem que querem. Já não há basicamente nada aqui. Um colchão para eu me deitar, talvez agora dois, já que cá paira o outro. Um buraco para as necessidades. As paredes são almofadadas e temo que se experimentar um duelo com a porta, há-de fazer um barulho tal que é suficiente para ouvirem, cá virem, e ainda me deterem e tratarem ainda pior. E pior, comigo vivo, sem poder fazer nada para terminar este sofrimento. E se? Ninguém notava, pelo menos até ser tarde de mais...



Farto das pessoas, das sociedades e das suas convenções. Estou farto. De tudo. Aqueles sinais de luzes dos carros e os seus misteriosos significados... Que tanto podem significar que a polícia está a alguns quilómetros de distância, como que tenho de virar na próxima cortada à esquerda para levar um carregamento de drogoa, ou, quem sabe, que vou morrer no próximo entroncamento. Farto da Igreja, das suas proibições e pecados. Eu vou para o céu, se eu quiser! E com quem eu quiser! Ou apenas morrerei, indo para um vazio, acabando-se toda e qualquer familiaridade com a existência, quem sabe...



Farto das sociedades e dos seus preconceitos. Se as raparigas querem ser esqueléticas que sejam. Se querem parecer uma morcela ou um chouriço fumado, que pareçam. Se os paneleiros se querem comer à frente do maior número de pessoas possível, disfarçados de cães esfomeados e depois se fazerem de vítima, que se comam! Se as pessoas querem não só parecer, ou não parecer, mas o ser, completamente desprovidas de espírito, que o sejam! Mas, DEIXEM-ME EM PAZ! Fora das maquinações, dos grupos pré-definidos, das carreiras ficticiamente criadas, das bases falsas com que criam o vosso pequeno mundo cheio de requisitos, falsidades e jogos de poder!



Farto desta vida, farto do que dela surge, farto do que sobra dela. Farto do que acontece, do que não acontece, do que está para acontecer e do que nunca vai acontecer. Farto.





Acabar agora com tudo. Decidir o meu próprio fim.

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